Jaime Capra
08/05/2015 08:40

Edição de sexta-feira, 08 de Maio de 2015

VIOLÊNCIA
No Paraná, de quem se dizia antigamente “Aqui se Trabalha”, a polícia do governador Beto Richa do PSDB usou balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água para reprimir os professores em manifestação contra o caos na educação daquele estado, deixando, pelo menos, duzentos feridos. 
Nem os membros da imprensa que cobriam o evento escaparam da violência. Segundo informações, a polícia atacou com cães da raça pitbull e jogou bombas a partir de helicópteros.
O xis da questão é a intenção de reduzir os direitos dos professores através de alterações no sistema previdenciário, ato negado pelo governo do Paraná.
O engraçado disso tudo é que no congresso nacional, o PSDB do governador Beto Richa e do senador Alvaro Dias, não perde oportunidade de criticar o governo federal sob a alegação de supressão dos direitos dos trabalhadores. Em contrapartida, a câmara federal, com empurrões do PSDB, luta pela aprovação da tal terceirização, sabidamente contrária aos interesses dos trabalhadores.  Quer dizer: Fogo na Dilma e pó de arroz no Beto Richa. Já pensaram se esses caras tivessem ganho as eleições do ano passado? 

OFERTAS DE EMPREGO
“BABÁ – Casal Evangélico – Precisa adotar uma menina de 12 a 18 anos que resida no emprego, para cuidar de bebê de um ano, que possa morar e estudar, ele empresário e ela também empresária. Apresentar-se com os pais ou Responsável no endereço... Melhores informações pelos telefones...”
O texto acima extraído de uma revista de circulação nacional, preservados endereços e telefones, é pequena parte de uma reportagem sobre tentativa de trabalho infantil análogo è escravidão e adoção ilegal, tendo sido denunciada por uma Associação de Magistrados, tendo gerado um inquérito judicial. 
Este, sem dúvida, também é o retrato de um País onde o povo (aí incluindo de políticos a religiosos), ataca o governo por supostos erros e desmandos, prega honestidade através de cartazes e placas e pratica atos como este, atentatórios à sobrevivência de sua própria espécie.

PALAVRAS BONITAS
Palavras bonitas escondem desprezo à mulher, é o que resulta do discurso “a favor da vida” dos que são contra o direito ao aborto legal, ao exigir o Estatuto do Nascituro para proteger a vida da criança e da mamãe.
Muitas vezes não é preciso rotular uma mulher de “vagabunda” ou de “mereceu ser estuprada, para demonstrar desprezo e ódio. Até palavras bonitas e aparentemente amigáveis fazem bem o trabalho de transmitir o quanto vale a vida das mulheres.
O discurso “a favor da vida” é perverso porque ignora que a proibição do aborto condena mulheres à morte devido aos abortos clandestinos. Se as manifestações fossem a favor da vida como dizem, estariam lutando para que as mulheres que abortam tenham o atendimento adequado no sistema de saúde, nos casos já previstos por lei.
Se as manifestações fossem tão a favor da vida, estariam cada um cuidando da sua, em vez de tentar impor aos outros suas crenças. É contra o aborto? Não aborte. Simples.

A CRISE DE ÁGUA
A possibilidade de um caos social por falta de água em São Paulo mobilizou o Exército, que trata a questão como assunto de Segurança Nacional. 
O sinal oi dado em 28 de abril último, num painel organizado pelo Exército, quando durante um debate entre oficiais, soldados, professores universitários e simpatizantes dos militares foi se delineando o motivo dos generais estarem preocupados com um assunto que está fora dos padrões de atuação militar.
A senha foi dada pelo diretor da Sabesp, que ao lado de um dirigente da Fiesp e de um professor da Unicamp, traçaram um panorama sobre a crise hídrica do Estado paulista.
O resultado foi que se as obras emergenciais não derem resultado e se chover pouco, São Paulo ficará sem água a partir de julho deste ano. 
Este é o resultado da falta de planejamento do governo paulista, que já abala a estabilidade do Estado.
Por aqui, a gloriosa CASAN caminha na mesma direção.

POR AQUI
A propósito da dívida da municipalidade com os donos da terra onde está(va) localizada a estação de tratamento de dejetos que os apressadinhos chamavam de água, o vereador Vanirto Conrad disse que não existe nenhum contrato de aluguel da terra, e portanto a municipalidade nada deve aos reclamantes.
Mas que tal? E a cerimônia na posse do atual prefeito, antes mesmo de ser investido no cargo, com o chamamento de uma distinta senhora para que assinasse o contrato, na presença de uma legião em êxtase, foi de mentirinha? Será que o sujeito que respeita as pessoas adquiriu também o direito de empulhá-las?
Quanto ao vereador Vanirto, “O Último dos Moicanos” embora já tenha levado diversas rasteiras do PMDB, continua fiel, assumindo sozinho a defesa deste governo, pois ninguém mais tem coragem de o defender. Vai acabar como Hawkeye, o último dos Moicanos, esperança de salvação das colônias em sua relação com a metrópole.

HOMENAGEM
Foi uma alegria imensa para este colunista, Ademir Pinto, Osvaldir de Oliveira e Jaime Pretto acompanhados de familiares, dentre os quais a Vereadora Maria Tereza Capra, homenagear e desfrutar da companhia do ex-professor e ex-prefeito de São Miguel do Oeste, sobretudo ao grande amigo Jarci Antonio Demartini. Demartini foi nosso mestre na cadeira de Filosofia, na então insipiente FUNESC, embrião da atual UNOESC. Pertence ao restrito rol de professores que influenciaram positiva e decisivamente a vida de seus discípulos, entre os quais, modestamente, me situo.
Falou de sua passagem como Prefeito, de suas obras ocultas, mas importantes, e de suas políticas públicas voltadas fundamentalmente aos menos favorecidos e interioranos, na época em que o Município ainda possuía seu território original.
Admirou-se com o crescimento da cidade e seu aparente potencial econômico.
Fique com Deus, Demartini, e que Ele conserve sua sabedoria, inteligência, desprendimento e vocação para o bem. 

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