95 Anos
15/05/2015 09:12 (atualizado em 15/05/2015 09:13)

“A guerra naquele tempo era de cara a cara”, conta Lindolfo Arend, ex combatente da 2ª Guerra Mundial Chegar a quase um século de vida é considerado uma dádiva por Lindolfo Guilherme Arend, que reside em São Miguel do Oeste e completou 95 anos de idade no último dia 26 de abril.

Além de dar dicas de como viver tanto tempo, Arend conta como foi participar da Segunda Guerra Mundial e retornar a vida depois de ficar anos afastado da família
Lindolfo Guilherme Arend, 95 anos (Foto: Claudia Weinman)
Lindolfo Guilherme Arend completou 95 anos de idade no último dia 26 de abril. Nascido no ano de 1920, em São Pedro do Sul, no Rio Grande do Sul, passou a viver em São Miguel do Oeste no ano de 1960. Com uma família formada por 11 irmãos, Arend residiu em Santa Maria com uma de suas irmãs dos nove aos13 anos, depois disso, retornou para sua terra natal enquanto sua irmã decidiu morar na Alemanha. 
Com 19 anos de idade, Arend saiu da roça, para ingressar no exército Brasileiro. “A maldita guerra estourou” - conta ele, referindo-se a Segunda Guerra mundial (1939-1945). “Dos 19 aos 26 anos eu perdi, servindo o exército. Fui para diversos lugares, no Rio de Janeiro, na Itália fiquei por nove meses, e quando terminou a guerra voltei para recomeçar a vida”, conta. 
Arend recorda que naquele tempo os armamentos de guerra eram bem diferentes do que se vê atualmente. “A guerra naquele tempo era de cara a cara, quando terminava a munição usávamos o facão. Hoje não, é tudo com míssil, atira de longe. Nós perdemos mais de 400 homens em uma batalha de três dias”, recorda. 
Depois do término da guerra, Arend conta que começou a reconstruir sua vida. “Fiquei três anos sozinho e depois arrumei uma companheira. Depois de mais de 20 anos casados, tivemos um filho, Lúcio. Ela faleceu em 14 de dezembro de 2013, com 81 anos, vítima de um infarto”, revela.
Hoje, Arend segue a vida no bairro Sagrado Coração de Jesus. Aposentado, vive sozinho recebendo a visita do filho, nora e netos. “O importante é que tenho saúde. Embora o corpo não seja forte como antigamente, a cabeça ainda funciona muito bem. Tenho uma memória muito boa. Controlo todos os meus gastos, faço minhas economias, cozinho e uma neta vem fazer a limpeza da casa para mim”. 
Na família de Arend, ninguém faleceu com menos de 75 anos. “Tinha uma irmã na Alemanha que faleceu com 96 anos, outra em Cunha Porã faleceu com 95 anos, e ainda uma outra que podia estar mais velha que eu se estragou tomando Coca-Cola), tomava todo dia e a Coca-Cola apodreceu o intestino dela”, afirma.
Arend conta ainda que nunca exagerou em bebida e, além disso, nunca fumou, embora os pais fumassem. “Tomava cachaça com os amigos, conversava, sempre trabalhei muito na roça”. Ao ser questionado sobre o futuro dos jovens na sociedade hoje, ele apenas diz que é necessário um grande investimento na educação. “Precisamos de respeito com o outro. O povo precisa se conscientizar. Vai que amanhã estoure mais uma guerra, o que amos fazer?”, indaga.  

Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial, iniciada em setembro de 1939, foi a maior catástrofe provocada pelo homem em toda a sua história. Envolveu setenta e duas nações e foi travada em todos os continentes, de forma direta ou indiretamente. O número de mortos superou os cinquenta milhões havendo ainda cerca de 28 milhões de mutilados. É difícil de calcular quantos outros milhões saíram do conflito vivos, mas completamente inutilizados devido aos traumatismos psíquicos a que foram submetidos (bombardeios aéreos, torturas, fome e medo permanente). Outra de suas características, talvez a mais brutal, foi a supressão da diferença entre aqueles que combatem no fronte e a população civil na retaguarda. Essa guerra foi total. Nenhum dos envolvidos selecionou seus objetivos militares excluindo os civis. 
(Fonte: http://www.sohistoria.com.br/ef2/segundaguerra/). 

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Fonte: Claudia Weinman

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