Jaime Capra
22/05/2015 08:16

Edição de sexta-feira, 22 de Maio de 2015

RESCALDOS
Dos festejados PARAJASC, restaram críticas dos participantes à falta de infra-estrutura para realização de tão importante evento esportivo e fundamentalmente à questão da mobilidade urbana. A administração municipal que achou injustas as críticas e preferiu contestá-las com visível falta de educação, está com anos de atraso. Ainda pensa que competições esportivas de alto rendimento podem ser disputadas em qualquer lugar, além de achar que deficientes físicos desportistas são apenas deficientes. 
O resultado não demorou em aparecer. Segundo anunciado, São Miguel do Oeste não participará dos Jogos Abertos de Santa Catarina deste ano. O argumento usado é que o dinheiro despendido será aplicado em infra-estrutura. 
Poderiam ter contado outra piada. Que infraestrutura é possível executar com algumas patacas investidas para levar uma pequena representação nos jogos abertos? Pobre São Miguel do Oeste sob a direção desta gente. Desse jeito, o Santo corre sério risco de ter cassada sua canonização. 

BATE PRONTO
O deputado Maurício Skudlark bateu firme na entrevista dada pelo vice-prefeito licenciado Vilson Trevisan que afirmou estar o PSD satisfeito e disposto a repetir a coligação com o PMDB nas próximas eleições municipais.
O deputado que além da eleição tem as costas aquecidas por João Rodrigues, foi buscar abrigo no PSD estadual e voltou candidatíssimo. Diz contar também com o possível apoio do PP, agora turbinado pela volta de Gilmar Baldissera ao cenário político. A gula aumenta na medida em que as notícias vindas de Brasília abrem a possibilidade do próximo eleito ficar por seis anos. 
Um pequeno obstáculo colocado no caminho é a pretensão de Nini Sharnoski que também quer ser candidato a qualquer custo. Vai ser uma disputa interna digna de final de copa do mundo. Como a queda de braço tornou-se o esporte favorito nos últimos dias, está aí mais um round para divertir a torcida.
Nas conversas paralelas dá-se como certo que o projeto do PR é o desmantelamento. A alquimia vem sendo atribuída ao deputado  Jorginho Mello, que segundo consta botou o partido embaixo do braço e não deixa ninguém se aproximar. Fazem por merecer o tratamento, pois nas últimas eleições os expoentes partidários tomaram rumos diferentes, inesperados e reprovados já demonstrados nas eleições municipais. Jorginho Mello não permite que haja alguém mais realista que o rei. 

REQUENTÉE
O assunto Estacionamento Rotativo, embora já tenha enchido o saco do povo e dos comentaristas, não pode ser esquecido assim de graça. A decisão da administração municipal de vetar seu próprio projeto é digna das comédias pastelão do cinema mudo.
Os gozadores de plantão foram buscar na história política da região algo parecido. Uma vem de São José do Cedro, onde um vereador, querendo se abster de votar, tirou a bunda da cadeira e ficou “meio em pé” para sinalizar que não era contra nem a favor do projeto. De São Miguel do Oeste vem duas histórias: uma, onde um nobre edil propôs um projeto de lei e na hora da votação votou contra. Cobrado, disse que tanto apoiava quanto “repoiava” o projeto; A outra, dá conta que um vereador sinalizava seu voto com o dedo polegar: contra, polegar para baixo (negativo). A favor, polegar para cima (positivo). Certa feita, para sinalizar abstenção, deixou o polegar na horizontal. A decisão da administração municipal é sui generis. Fez do estacionamento rotativo seu cavalo de batalha. Na hora do combate, tirou os arreios do animal e o soltou no pasto. Embora esteja impedido, não posso deixar de fazer referência ao famoso “mico” que se instalou no paço municipal e não há banana que o faça sair de lá.
A idéia de reunir as partes interessadas para discutir o desfecho do imbróglio, é o que se pode considerar “a emenda pior que o soneto” ou como se dizia em bom italiano: “lè pédo el tacon che el sbrègo”!

FASES DE UM PROJETO 
Por várias vezes utilizei este espaço para dissertar sobre as fases de um projeto. São elas: entusiasmo, apreensão, decepção, busca dos culpados, punição dos inocentes e promoção dos não participantes. No caso do estacionamento, estamos na antepenúltima fase, que é a busca dos culpados. A ACISMO e suas coligadas elegeram a queda de braço entre os poderes legislativo e executivo como culpada pelo veto. Pela manifestação, a entidade condiciona o lucro da atividade empresarial à existência de vagas para estacionamento em qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer dia do mês e em todos os meses do ano. 
Sobre os canteiros das ruas onde há vagas para estacionar, sobre os exageros das vagas reservadas defronte algumas empresas detentoras de privilégios e sobre as reservas defronte prédios que não possuem estacionamento próprio, comenta-se que a atividade empresarial de sucesso independe do estacionamento. Depende isto sim da boa gestão, da criatividade, da inovação, da oferta de bons produtos, de preços competitivos e da capacidade de cativar clientes. Isto não se regulamenta por lei. Editar leis para favorecer um segmento em detrimento de outros é anticonstitucional e discriminatório. Vivemos num País que, embora contrariando a opinião de alguns que o querem só para si, tem como cláusula pétrea de sua Constituição a igualdade de direitos e de obrigações. 

EXPLICAÇÕES
Está mais que na hora da administração municipal, através de sua jurisconsultoria, procurar boas desculpas para o gasto com a contratação de uma empresa de fora, que com grande alarde desenvolveu estudos para resolver o problema viário de São Miguel do Oeste. O dinheiro foi gasto, a propaganda foi feita e o resultado traduziu-se num vergonhoso veto. Isso sim deve ser explicado.

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