Jaime Capra
18/06/2015 20:52

Edição de sexta-feira, 19 de Junho de 2015

A VOLTA DE CUNHA
Na aldeia, querem imitar a truculência, a imposição e o projeto pessoal de Eduardo Cunha a qualquer preço. Se lá o projeto transcende o interesse nacional, cá atropela o interesse municipal. Que o digam os burburinhos e a busca por notoriedade. Querem ser mais realistas que o Rei. Se a colenda e a egrégia foi um fracasso, o parlamento, já que “parla, parla e non facieva niente, instituiu o “statu quo ante bellum”. Como por essas bandas o calendário conta para trás, breve chegaremos a Vila Oeste. 

MANIAS
Cada vez mais pessoas, abominam o uso de telefones celulares, smartphones, tablets e outros modismos eletrônicos. O que era para ser evolução nos meios de comunicação transformou-se em modismo desrespeitoso.
Já não se consegue conversar em grupo, pois a invasão desses artefatos transforma o saudosista em João Batista, aquele que pregava no deserto.
A falta de respeito tornou-se tão explícita, que o deputado federal João Rodrigues foi flagrado em plena sessão do Congresso Nacional assistindo um vídeo impróprio.
A justificativa do deputado foi pior que o próprio ato. Demonstra toda a falta de respeito com o povo Brasileiro e o Catarinense que o elegeu. 
Não seria necessário dizer, mas o deputado sabe perfeitamente que a nenhum representante do povo cabe o direito de “brincar” de criança em seu templo. Lá, embora poucos o demonstrem, é um lugar sagrado para a Nação, onde se traça o rumo que o povo deve seguir.
Isso não é tudo. Qualquer jornal traz manchetes em letras garrafais enaltecendo os “grandes” feitos de parlamentares dessa estirpe, descrevendo o trabalho, a dedicação e o interesse com sua gente. Na verdade, o trabalho, o interesse e o esforço é aquele contido nas entrelinhas, qual seja o de se perpetuar na política e alavancar o maior número de cabos eleitorais para fazer-lhe companhia. 

ENTORNANDO O CALDO 
Em Bandeirante, onde o PMDB, associado ao PPS reina quase absoluto, foi aberta uma cisão que tem tudo para se transformar em rachadura e entornar o caldo nas próximas eleições. Os resquícios da eleição de 2008 ainda estão presentes. Naquela ocasião, a soberba e a disputa interna soterraram o plano de continuísmo, colocando o PT no governo. 
A manifestação do vereador Volmir José Lamb habilitando-se como pré-candidato a prefeito do município por qualquer partido, deixou os caciques de tacape erguido.
Os motivos não foram revelados, mas os pardais que cantam também em São Miguel do Oeste dizem que alguns Peemedebistas estão cheios do regime ditatorial com que o município vem sendo administrado, e que já está mais que na hora de mudar os rumos de Bandeirante.

TENDÊNCIAS
Em São Miguel do Oeste, a carroça política começou a se mover e com isso as melancias vão se acomodando. 
O PSD vai se aproximando do PP de Amin, livre de Pizzolatti mas se afogando na Lava Jato. A aproximação é imposição do comando estadual, cansado do PMDB órfão de Luiz Henrique. A aproximação mexe em São Miguel do Oeste, que se quiser continuar no paço municipal precisará encontrar novo parceiro. 
Atualmente o PMDB debate-se com o “affair” Cris Zanatta, que ainda não sabe o que fazer. Se decidir ficar no partido terá que convencer os “mandarins” que sua insubordinação foi um golpe de mestre. Se resolver sair, não há opções com boa vitrine, pois a do PSD já está ocupada.
O PT, apesar do isolamento imposto pela grande mídia, pela direita golpista e pelos descontentes com o dinheiro que ganharam nos últimos anos, está na expectativa dos acontecimentos e apostando na militância que se motivada poderá encampar uma candidatura “quase” solo. De positivo, o reconhecimento da força da militância. 
O PR, parceiro ou ex-parceiro tanto do PT quanto do PP sofre o mesmo desgaste. Embora a possibilidade de migração de Cris Zanatta para suas hostes, o futuro ainda é nebuloso, permitindo a rotulagem de pouca confiabilidade. Por enquanto procura uma tábua de salvação, apostando em mais três anos e meio de parceria com o PT nacional, o que lhe proporcionaria alguma vantagem comparativa.

VATICÍNIOS
Considerando o quadro político local, reflexo do Nacional, não há dúvidas que estamos em plena luta de classes. Os sinais que emanam do Congresso Nacional com a disputa entre grupos, deixam clara a intenção. 
Karl Marx e Friedrich Engels designaram “luta de classes” o confronto entre os que consideravam a burguesia opressora e o proletariado, oprimido. Burguesia e proletariado constituíam-se classes antagônicas no modo de produção capitalista, no terreno econômico, ideológico e político. 
Em São Miguel do Oeste há sinais claros que setores da sociedade que historicamente se mantém à margem da política embora tenham suas preferências, organizam-se para participar do processo eletivo que se avizinha. O objetivo é eleger uma representação na Câmara Municipal e disputar a eleição majoritária, se conseguirem atrair nomes com peso político. A sigla não importa. Basta que represente a burguesia e se oponha ao Governo Federal, aos trabalhadores e aos pobres. Depois dizem que “labor omnia vincit”. Pura balela.

BOA GENTE
Um empresário da construção civil quis antecipar o pagamento do ITBI sobre um imóvel que vendera, calculado em pouco menos de mil Reais. Recebeu como sugestão do funcionário municipal que poderia recolher o tributo quando o imóvel estivesse concluído.
Acatou a sugestão. Quando foi pagar, o valor subiu para mais de sete mil Reais. Ao reclamar, recebeu como justificativa a vigência de nova lei.
O empresário promoveu um levante com seus colegas e todos foram às barbas do comandante boa gente. Ouviram as justificativas de praxe e receberam tapinhas nas costas. Saíram arrependidos.
Para constar, a lei que elevou de forma absurda o ITBI e as taxas foi aprovada de afogadilho no apagar das luzes de 2014 com os votos do PMDB, PDT E PR.

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