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12/08/2015 16:41 (atualizado em 12/08/2015 16:49)

Aumenta número de casos de câncer de pele em Santa Catarina Estado aparece nas primeiras posições do ranking nacional, o que acende alerta para cuidados ao curtir o sol

Ainda garoto, Luiz Ekke Moukarzel ia muito à praia em Florianópolis e não tomava qualquer tipo de cuidado. Naquela época, não havia muita divulgação sobre os riscos do câncer de pele. Agora, aos 61 anos, sente os efeitos cumulativos do sol e já teve que fazer a retirada de manchas que representavam o início da doença. 
Casos como o de Moukarzel são mais comuns a cada ano. Mesmo com mais informações e campanhas de conscientização, a taxa de incidência da doença cresce de forma significativa, principalmente em Santa Catarina, que aparece nas primeiras posições do ranking nacional. Os fatores para a incidência no Estado estão na descendência europeia, que resultou em pele muito clara, e na cultura de ir à praia. 
Daniel Holthausen Nunes, presidente da regional catarinense da Sociedade Brasileira de Dermatologia, afirma que, como os homens costumam ser mais expostos constantemente ao sol, caso de agricultores e pescadores, a incidência é bem maior. 

— A taxa de detecção cresceu 20% nos últimos 10 anos no Estado. O grande problema do câncer de pele é que, como a lesão é mais visível, o diagnóstico é precoce, então a chance de complicação é menor, por isso as pessoas se preocupam menos. Mas câncer é câncer e, se demorar, pode precisar de procedimento que deixa cicatriz ou mutilação – diz Nunes. 

Embora os tumores costumem aparecer após os 40 anos, eles geralmente são resultado da exposição crônica ao sol ou daquela queimadura de anos atrás: 

— O sol é bonzinho, demora um tempo para mostrar os efeitos. Então, aquela queimadura que você teve na infância vai aparecer lá depois dos 40. Por isso é fundamental os cuidados desde criança – explica Márcia Purceli, consultora em dermatologia do programa Bem Estar, da Rede Globo. 

Para evitar a doença, o mais importante é priorizar a fotoproteção e usar protetor solar toda vez que sair ao ar livre. 

— Se não mudarmos a consciência dos adultos sobre fotoproteção, não iremos mudar este cenário — afirma Márcia. 
Aplicativo ajuda a monitorar 

Além de cuidar da proteção constante contra o sol, é fundamental acompanhar o surgimento e a alteração de manchas. Há uma regra básica de autoexame chamada de ABCD ( assimetria, borda, cor e dimensão): mancha assimétrica pode ser tumor maligno, assim como a com borda irregular, de dois ou mais tons e maior di que seis milímetros. 

Para auxiliar neste pré- diagnóstico, o coordenador do Curso de Ciência da Computação da Universidade Regional de Blumenau ( Furb), Aurélio Hoppe, e o ex- estudante do curso, Thiago Pradi, começaram a desenvolver o aplicativo iMelanoma em 2012. O usuário cadastra a mancha para histórico, tira uma foto da lesão com a câmera do próprio celular e pressiona o botão de diagnóstico e, em segundos, o aplicativo retorna o resultado ( lesão benigna ou maligna). 

— Porém, é importante ressaltar que o objetivo não é substituir o especialista e sim, auxiliá- lo. O nível de acerto do aplicativo é em torno de 90% — diz Hoppe. 

Nos últimos dois anos, o trabalho de desenvolvimento continuou. Fizeram a portabilidade do aplicativo para a plataforma Android – a iOS já está pronta – e incluíram uma interface para fazer o mapeamento corporal das lesões cutâneas, que serve para acompanhar as modificações. 

— Pretendemos disponibilizar o aplicativo, no início, gratuitamente. Mas, antes disso, precisamos conseguir algumas autorizações legais, como do Conselho de Ética — explica o coordenador.
Tipos

Carcinoma basocelular (CBC)

É o mais prevalente dentre todos os tipos de câncer. O CBC surge nas células basais, que se encontram na camada mais profunda da epiderme (a camada superior da pele). Tem baixa letalidade, e pode ser curado em caso de detecção precoce. Os CBCs surgem mais frequentemente em regiões mais expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas.

Carcinoma espinocelular (CEC)

Manifesta-se nas células escamosas, que constituem a maior parte das camadas superiores da pele. Pode se desenvolver em todas as partes do corpo, embora seja mais comum nas áreas expostas ao sol. É duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres. Normalmente, têm coloração avermelhada, e apresentam-se na forma de machucados ou feridas espessos e descamativos, que não cicatrizam e sangram ocasionalmente.

Melanoma

Tipo menos frequente dentre todos os cânceres da pele, o melanoma tem o pior prognóstico e o mais alto índice de mortalidade. Em geral tem a aparência de uma pinta ou de um sinal na pele, em tons acastanhados ou enegrecidos. Porém, quando se trata de melanoma, a "pinta" ou o "sinal" em geral mudam de cor, de formato ou de tamanho, e podem causar sangramento. Por isso, é importante observar a própria pele constantemente, e procurar imediatamente um dermatologista caso detecte qualquer lesão suspeita.

Sinais e sintomas

O câncer da pele pode se assemelhar a pintas, eczemas ou outras lesões benignas. Conhecer bem a pele e saber em quais regiões existem pintas faz toda a diferença na hora de detectar. Somente um exame clínico feito por um médico especializado ou uma biópsia podem diagnosticar o câncer da pele, mas é importante estar sempre atento aos seguintes sintomas:

Uma lesão na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida, com crosta central e que sangra facilmente;

Uma pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho;

Uma mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento.

Como prevenir

Evitar a exposição excessiva ao sol e proteger a pele dos efeitos da radiação UV são as melhores estratégias. Os grupos de maior risco são os do fototipo I e II, ou seja: pele clara, sardas, cabelos claros ou ruivos e olhos claros. Além destes, os que possuem antecedentes familiares com histórico da doença, queimaduras solares, incapacidade para bronzear e pintas também devem ter atenção e cuidados redobrados.

Usar chapéus, camisetas e protetores solares.

Evitar a exposição solar e permanecer na sombra entre 10 e 16h (horário de verão).

Na praia ou na piscina, usar barracas feitas de algodão ou lona, que absorvem 50% da radiação ultravioleta. As barracas de nylon formam uma barreira pouco confiável: 95% dos raios UV ultrapassam o material.

Usar filtros solares diariamente, e não somente em horários de lazer ou diversão. Utilizar um produto com fator de proteção solar (FPS) 30, no mínimo.

Reaplicar o produto a cada duas horas ou menos, nas atividades de lazer ao ar livre. Ao utilizar o produto no dia-a-dia, aplicar uma boa quantidade pela manhã e reaplicar antes de sair para o almoço.

Observar regularmente a própria pele, à procura de pintas ou manchas suspeitas.

Consultar um dermatologista uma vez ao ano, no mínimo, para um exame completo.

Manter bebês e crianças protegidos do sol. Filtros solares podem ser usados a partir dos seis meses.

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Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia

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