Geral
13/11/2015 16:56 (atualizado em 31/12/1969 21:00)

Que ser humano é esse?

A Serra Catarinense amanheceu manchada de sangue. Uma mulher foi estuprada com a filha de dois anos nos braços. Na foto divulgada pelos sites de notícias, a cena de terror. Mais uma mulher foi vítima de violência. “Entre 2003 e 2013, o número de mulheres mortas em condições violentas passou de 3.937 para 4.762, registrando um aumento de 21% na década. Somente em 2013, foram registradas 4.762 mortes de mulheres – o que representa 13 homicídios femininos por dia”.
Os dados que trago, e que foram encontrados no site do sindessc.wordpress.com/, mostram ainda que o “Brasil piorou no ranking dos países com maior índice de homicídios femininos: passou da sétima posição, em 2010, para a quinta, em 2013, em uma lista de 83 nações”.
Para que o leitor fique por dentro desses dados e possa contribuir na campanha que há bastante tempo nós movimentos populares e pastorais sociais temos feito, aponto ainda outros dados: “O estudo revelou ainda que a conjugação de discriminações torna as mulheres negras mais expostas à violência fatal. O número de homicídios de brancas caiu de 1.747 vítimas, em 2003, para 1.576, em 2013. Isso representa uma queda de 9,8% no total de homicídios no período. Já os homicídios de negras aumentaram 54,2% no mesmo período, passando de 1.864 para 2.875 vítimas”.
O que está acontecendo? Que ser humano é esse capaz de matar, espancar, violentar uma pessoa? O crime que trago nesta edição na Serra Catarinense, diz respeito a uma mulher, que foi estuprada e espancada às margens da Avenida Papa João XXII, no Bairro Petropólis em Lages, ainda em 2014. A notícia é antiga? Não, é recente, ela se repete todos os dias, mas tem sido naturalizada, as pessoas nem ligam mais, não se manifestam, não usam as redes sociais para falar contra essa truculência.  
Não é difícil identificar o machismo. Além do estupro, convivemos todos os dias com várias formas de violência. As mulheres historicamente precisam ‘obedecer’, ‘fazer as vontades’, precisam fazer sexo quando o parceiro acha que está com vontade, precisa lavar, secar, cozinhar. Quando pedimos para os irmãos, para os filhos, para os companheiros secarem a louça, como pedimos? “Me ajuda aqui”. Errado, temos que dizer: “Faça a sua parte. Esta tarefa também é sua”.  
Nós mulheres também precisamos compreender como essa violência toda acontece e de que maneira estamos tratando ela. Será que estamos sendo cumplices desse machismo? Será que ficamos culpando as outras mulheres ou fazendo comentários maldosos quando uma mulher coloca uma roupa mais curta? Não podemos ser coniventes com essa prática. Lugar de mulher é onde ela quiser, vestida do jeito que ela gosta, que se sente bem. O mesmo eu digo para os homens. No entanto, tudo deve ser pensado, deve partir de uma reflexão. A mesma reflexão que deve ser feita nas escolas, em casa com as crianças, na igreja. Em nossa região vejo na figura de líderes da igreja uma dificuldade imensa de falar sobre a questão de gênero. Nossos bispos se negando a isso, nossos líderes se negando a isso. Bem, se não fizermos essa discussão, se aceitarmos os xingamentos, se não brigarmos quando nossos colegas fazem apologia ao estupro nas redes sociais, então, a mudança estará longe de acontecer. Eu vou continuar incomodando, não vou aceitar o machismo, porque quero uma sociedade diferente, onde homens e mulheres se respeitem e tenham a sua diversidade preservada, com dignidade. Vida longa ao Feminismo! Até a próxima. 

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