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15/04/2016 11:06 (atualizado em 15/04/2016 14:17)

“EM CINCO SEGUNDOS FICAMOS NA RUA” RECONSTRUÇÃO A família Quinot, da Linha Seis de Setembro, interior de Palmitos, perdeu a casa em um tornado que atingiu a região no ano passado

PALMITOS –“Foi como um avião dando um rasante em cima da nossa casa”, afirma a agricultora Nair RieseQuinot, de 53 anos. Tudo aconteceu por volta das 18h, no dia 19 de novembro de 2015, quandoum vento muito forte atingiu a Linha Seis de Setembro, interior de Palmitos. No início o agricultor LaudioQuinot, 59 anos, achou que era um temporal corriqueiro, mas foi questão de cinco segundos para que a casa saísse do seu alicerce e se partisse ao meio pela força da ventania. 
Durante o fenômeno, Nair estava dentro de casa e Laudio no terreiro. “Eu estava no ‘paiol’, quando começou a vir destroços para cima de mim, eu logo me abaixei e coloquei as mãos sobre a minha cabeça”, conta o agricultor. 
A esposa estava na cozinha, os barulhos lá fora eram ensurdecedores, quando a porta da cozinha é arremessada para dentro da casa. “Eu estava a poucos passos da área, quando a porta da cozinha arrebentou para dentro. Eu fiquei sem reação, não sabia o que fazer. Eu não sei o que tinha acontecido comigo se eu estivesse lá, porque voou tudo que tinha ali”, conta Nair. 
Lá fora, Laudio só pensava na esposa, já que não sabia como ela estava.“Meu primeiro pensamento era saber como estava minha mulher, quando vi ela vindo ao meu encontro, eu pensei comigo, ‘puxa, agora está tudo bem’”, relembra.
Nair conta que a casa de madeira de três quartos, sala e cozinha saia da base e voltada, uma das medidas que ela tomou foi desligar a chave da luz para que não causasse um incêndio. Depois da passagem do fenômeno a família ficou incomunicável, e o agricultor logo pediu ajuda ao vizinho mais próximo. “Eles ficaram admirados, porque no vizinho era um vento normal, não deixou estrago nenhum, foi uma tira de 50 metros que atingiu bem certo a nossa propriedade”, acredita Quinot. 
Logo em seguida foi acionado os Bombeiros e a Defesa Civil e em poucos minutos as imediações da residência estava com mais de 50 pessoas auxiliando a família. “Não sobrou nada, dentro de casa tudo despencou dos armários. Eu queria entrar para ver se poderia salvar alguma coisa, mas a Defesa Civil e os Bombeiros não permitiram, pois tinha o risco de desmoronar a casa”. 
Os agricultores conseguiram salvar apenas algumas roupas secas e os documentos, o resto como colchões, sofá e cobertores estavam molhados, e os móveis esfacelados. A família nunca passou por algo parecido nos 35 anos que vivem no local. Depois de perder a casa, o casal foi para cidade, onde moram as filhas, mas chegou ao ponto que Quinot não queria deixar a propriedade e então improvisaram uma cozinha na garagem e os quartos para dormir num ‘galpão’ ao lado da estrebaria. “Se tu não tem mais casa, tu não tem mais nada, não era uma casa de luxo, mas depois disso nós valorizamos mais, não tem explicação”, reconhece Nair. 
VIDA NOVA, CASA NOVA 
Em janeiro iniciou a construção da nova casa, com praticamente 90% dos materiais de construção e móveis doados pela comunidade e amigos. “Empresas de materiais de construção, pessoas do Paraná, da Alemanha, e da comunidade em geral doaram dinheiro, móveis, materiais de construção para que iniciássemos a nossa casa. Também fizemos uma rifa com dois bois para arrecadar dinheiro”, lembra a agricultora. 
Quinot enfatiza que o custo maior da família foi a mão de obra dos pedreiros e a rede elétrica da casa. Quando questionados sobre o tamanho do prejuízo, o agricultor acrescenta “em cinco segundos ficamos na rua, esse prejuízo é incalculável, não é apenas a casa que se foi, lá tinha um monte de trabalho de 30 anos que foi levado em cinco segundos e isso é uma despesa incalculável”, lamenta. 
Ainda sem revestimento, a casa já está mobiliada e pronta para ser habitada. “Há três meses que estamos dentro da casa, isso só foi possível com a solidariedade da população. Um dia depois da tragédia tinha umas 30 pessoas ajudando aqui no pátio, gente que nós nem conhecia. O que resta é só agradecer”, finaliza Nair. 

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