Especial
13/10/2017 08:59 (atualizado em 13/10/2017 09:14)

Incentivo ao futsal desenvolve a cidadania e desponta talentos em Palmitos ESPORTE O Jornal Expresso d’Oeste apresenta nesta edição como esse ‘pequeno’ trabalho tem feito a diferença na vida de muitas famílias palmitenses

O futsal tem se tornando parte da vida de muitas crianças no decorrer de seu crescimento e em alguns casos na juventude a paixão e gosto pelo esporte, acaba se tornando uma profissão. E esse é o contexto vivido por muitos jovens em Palmitos, onde jovens conseguiram destaque mundial no futsal, com o incentivo das escolinhas de futsal nas categorias de base. Para retratar esse cenário o Jornal Expresso d’Oeste apresenta nesta edição como esse ‘pequeno’ trabalho tem feito a diferença na vida de muitas famílias palmitenses e tem descoberto talentos locais que despontaram pelo mundo afora.
Há diversos anos, Palmitos vem desempenhando um papel importante nas escolinhas de base do futsal, com mais de 300 alunos que participam em várias categorias e faixas etárias, sendo o futsal masculino e feminino, uma das modalidades que se destacam no município. Em entrevista ao Jornal Expresso d´Oeste, o vice-prefeito do município de Palmitos, Mario Alceu Peiter, destacou sobre o incentivo oferecido pelo poder público ao esporte local, especialmente no que se refere a preparação de crianças e jovens.  
Elizandro Stefeni / São ofertas as modalidades de futsal, tanto no naipe masculino desde os quatro anos de idade
De acordo com Peiter o investimento no esporte é um meio importante para formação do atleta.  Ele participa ativamente, acompanha os treinamentos e jogos das categorias de base, com crianças e adolescentes dos 07 aos 17 anos. “É um motivo de orgulho para os palmitenses, ter jogadores de sua cidade na seleção brasileira, como, Dione Veroneze e Diego Zuffo, e outros atletas que atuam em clubes no Brasil e do mundo. Trabalho este, que surgiu nas escolinhas de base, semente que foi lançada em 1998, com o surgimento da Associação Atlética Palmitos de Futsal. Um investimento no esporte profissional, que oportunizou o trabalho nas categorias de base, para que as crianças tivessem no futsal adulto uma referência”, declara. 
Os trabalhos são executados por meio uma equipe que completa a Comissão Municipal de Esportes (CME), a Associação Atlética de Futsal e a Administração Municipal, as quais ofertam a estrutura necessária para os jogos e treinamentos. Hoje, o município oferta as modalidades de futsal, tanto no naipe masculino desde os quatro anos de idade, até a fase adulta, e no naipe feminino, dos oito anos ao adulto. Ainda, o município oferta as modalidades de voleibol masculino e feminino, dos nove anos até os dezessete anos. Atletismo, com algumas idades, bocha e bolão na categoria adulta. 
Escolinhas trabalham o caráter do atleta e a cidadania dos munícipes
Profissionais do esporte destacam como o incentivo ao atleta jovem, contribui para a formação do caráter de futuros cidadãos palmitenses
Elizandro Stefani / O secretário da Liga Municipal de Esportes de Palmitos, Décio Riese
O secretário da Liga Municipal de Esportes de Palmitos, Décio Riese, que trabalha há 16 anos nas escolinhas de futsal, explica que primeiramente se trabalha a parte social na formação para o futuro. “Todos os profissionais de Educação Física têm um caminho com experiência, com o objetivo de trabalhar o caráter do atleta e a cidadania dos nossos munícipes”, enfatiza.
Esse reforça que a parte social trabalha com a saúde e os benefícios que a atividade física proporciona ao atleta. Além disso, Riese acredita que auxilia na escolha do caminho a ser percorrido pelo jovem. “As escolinhas também têm seu lado social, pois acabam influenciando muito, porque essa criança trabalha com pessoas diferentes da família e acaba tendo um caminho diferente”, evidencia. 
Ainda, o secretário, que também é treinador, ressalta que as escolinhas têm o intuído de formar o atleta para disputar competições e representar o município. “Temos o propósito de formar atletas profissionais, já temos exemplos no nosso município, atletas que estão jogando no mundo todo, jogadores que saíram das nossas escolinhas, e estão representando a seleção brasileira”, declara ele, demonstrando o orgulho por esses atletas.
Segundo Riese tem vários atletas que saíram de Palmitos, e estão jogando profissionalmente. Entretanto, para que isso aconteça, o secretário destaca a necessidade de se trabalhar de uma forma diferente, priorizando o trabalho social do ser humano. “Precisamos trabalhar mais a formação desse atleta, para que ele esteja preparado lá na frente e que tenha um caminho já traçado ao nível do esporte regional, estadual, nacional e internacional”, frisa. 
Elizandro Stefeni / Na escolinha Mini Craques, são trabalhadas as faixas etárias de 4 a 12 anos de idade, no naipe masculino
O secretário menciona que existem jovens que chegam até as escolinhas com uma visão, mas no decorrer do tempo, ela passa a ser outra. E, conforme o treinador, os jovens aprendem o respeito com colegas, professor e adversário. “Isso eles levam para a vida pessoal, escolar, familiar e profissional. Todo mundo tem um sonho, e o atleta principalmente no masculino tem o sonho de ser um jogador profissional, isso desde quando nasce, vem do pai, vem de família. Por isso procuramos dar toda a estrutura necessária para que se possa trabalhar esse atleta e pela sua formação”, frisa. 
O treinador acredita que o esporte proporciona o conhecimento de novas culturas, de novas pessoas, pois é um trabalho que também é desenvolvido em outros municípios, e assim, criam-se amizades que vão auxiliar na formação da personalidade das crianças. “Tem muita diferença entre as crianças que participam das escolinhas e aquelas crianças que não participam, até por que temos exemplos de pais que já declararam que enquanto o filho não participava das escolinhas, ele era uma criança tímida que não tinha convívio com pessoas, grupo, não trocava ideias, e hoje tem um convívio maior, até familiar. Chegam em casa e comentam ‘pai, mãe aconteceu isso na escolinha, hoje fiz um gol, cometi uma falta, fiz um pênalti, marquei, fiz uma defesa boa’, e isso ajuda muito na personalidade do atleta”, finaliza. 
Elizandro Stefeni / Equipe de profissionais da Escolinha Mini Craques Futsal de Palmitos
Já o professor da Escolinha Mini Craques Futsal de Palmitos, Rodrigo Beling, que trabalha há seis anos com crianças, reconhece que a paixão pelo esporte, além de saúde, bem estar e amizade, tem o poder de transformar a criança, proporcionar senso de responsabilidade, faz ela adquirir gosto de participar de uma escolinha de futsal. Ele ressalta a diferença entre o atleta que participa da escolinha, e aquele que não participa. “É percebível a diferença na garotada, os próprios atletas comentam que evoluem graças aos treinamentos repassados”, enfatiza. 
Segundo Rodrigo, existem vários casos de atletas que iniciaram e desistiram da escolinha, mas com o tempo voltaram. “Porque ao estarem na atividade física, as crianças deixam de lado outras coisas”, destaca o professor, enfatizando que busca passar para seus atletas que vão atrás de seus sonhos, independente de ser ou não jogador profissional. “A diferença depende muito do profissional que trabalha com as crianças, dos métodos de treinamento utilizados para que o atleta obtenha melhor rendimento”, frisa. Na escolinha Mini Craques, são trabalhadas as faixas etárias de 4 a 12 anos de idade, no naipe masculino.  
Da paixão de criança para a profissão enquanto adulto
Arquivo Pessoal / Roque Sartori, palmitense, 31 anos, posição de fixo e atualmente morando na cidade de Xaxim, está se recuperando de uma lesão
Roque Sartori, palmitense, 31 anos, posição de fixo e atualmente residindo na cidade de Xaxim, está se recuperando de uma lesão. Começou nas escolinhas de futsal da cidade Palmitos, com o professor Gilson Aparicio Pauletti. Seu objetivo sempre foi ser jogador de futebol, sonho de toda criança que aprecia o esporte. Mas com o passar do tempo percebeu que era mais complicado conquistar seu sonho. 
Sartori teve a oportunidade de jogar o futsal em Palmitos, 2003 a 2006, na equipe da divisão especial de futsal.  Em 2007, foi convidado para jogar pelo município de Xaxim, onde pode conciliar os estudos com a paixão pelo futebol.
Desde 2003 como atleta profissional, Sartori teve várias passagens pelo time de Xaxim nos anos de 2007 e 2011 e atualmente trabalha com escolinhas no município de Xaxim. “Sou formado em Educação Física, e sonho em poder voltar a jogar em alto nível, mas com a lesão complica um pouco.  Espera voltar a jogar mais dois ou três anos, mostrar meu trabalho em grande nível”, almeja. 
Para as crianças que estão na base do futebol palmitense, o jogador deixa um incentivo e destaca que é preciso ter dedicação e persistência. “Se quiser ser um atleta profissional e querer jogar em alto nível, o importante é persistir e manter o sonho na cabeça. Tem que se dedicar, suar e trabalhar bastante, para alcançar os objetivos”, aconselha.
Arquivo Pessoal / O palmitense Luís Felipe Camargo, 23 anos, está jogado no AES Sobradinho
Já o palmitense Luís Felipe Camargo, 23 anos, está jogado no AES Sobradinho, do município de Sobradinho. Ele, que atua na posição de fixo, começou jogar nas escolinhas de futsal de Palmitos, com cinco anos, na época em que Palmitos era destaque no futsal catarinense.
Segundo Camargo, seu objetivo sempre foi ser jogador de futsal, porém hoje, ainda alimenta também o sonho de estudar medicina veterinária. “Pretendo iniciar uma faculdade, para depois que parar de jogar ter uma segunda profissão”, complementa. Camargo lembra que a primeira oportunidade que teve em jogar profissionalmente, surgiu quando tinha 14 anos, pela AABB de Chapecó. “Tive dificuldades, até porque era muito novo, mas aprendi a me virar sozinho com tão pouca idade, tive que amadurecer mais cedo nessa profissão”, recorda.
Profissionalmente, há seis anos ele atua nas quadras. E hoje, espera se recuperar de uma lesão que o deixou cinco meses longe das quadras. Camargo comenta que quando criança, seu sonho era ser jogar internacional e até mesmo ser campeão do mundo. “Tive a oportunidade de realizar dois sonhos, o terceiro é poder vestir a camisa da seleção brasileira algum dia. E levo como mensagem a muitos jovens que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, sempre com muita dedicação e persistência, um dia se chega lá”, finaliza.


De Palmitos para o mundo 
André Dionisio Garcia, 29 anos, atua hoje na equipe do Feldi Eboli da Itália,ele começou sua vida esportiva em Palmitos, nas escolinhas de base, junto com outros jogadores que levam o nome do município pelo mundo a fora. Dé, como é conhecido no futsal, sempre quis jogar futebol, mas não sabia naquela época em que era tão jovem, que o que mais gostava de fazer, seria no futuro, sua profissão.
Arquivo Pessoal / Palmitense André Dionisio Garcia, 29 anos, hoje atua na equipe do Feldi Eboli da Itália
Em tom de brincadeira, em entrevista a reportagem do Jornal Expresso, Dé lembra que preferia jogar futebol do que ficar estudando para as provas da escola. “Mas se não fosse jogador acho que eu seria comissário de bordo, é uma profissão que sempre admirei”, comenta. Sobre sua vida profissional, o jogador lembra que começou a treinar em 2004, e quando o seu professor passou a treinar a equipe de Chapecó, houve a oportunidade de começar a trajetória fora da cidade de Palmitos.
Ele lembra que no começo tudo era novidade, pessoas, equipe, padrões e técnicos novos, mas a vontade de jogar sempre falou mais alto. Ele já atuou em Chapecó (SC) em 2005, Pindamonhangaba (SP) de 2006 à 2008, São Miguel do Oeste (SC) em 2009, Santa Fé do Sul (SP) em 2010, Ibirama (SC) em 2010, Concórdia em 2012, Joinville em 2014 à 2015, Erechim (RS) em 2016. E em 2017 voltou no meio semestre, para Concórdia, e agora está em Eboli, na Itália. “Tenho muito fôlego para jogar futsal, e certeza que vou dar muitas alegrias em todos clubes que ainda pretendo jogar. Todo jogador sonha em chegar à seleção brasileira, e eu também sonho com isso, mesmo estando fora do país, quem sabe um dia, terei essa oportunidade”, almeja.
“Então acredite que vale apena sonhar”...
Arquivo Pessoal / O palmitense, Dione Veroneze, conhecido por Bateria, 26 anos, também atua no FC Barcelona, na Espanha 
O palmitense, Dione Veroneze, conhecido por Bateria, 26 anos, atua no FC Barcelona, na Espanha, e defende a Seleção Brasileira. Apaixonado por futebol, seu sonho sempre foi ser um atleta profissional. Bateria, comenta a reportagem do Expresso que aos 06 anos entrou para a escolinha de futsal de Palmitos, onde começou a participar de campeonatos na região. “A oportunidade de sair de Palmitos, surgiu quando o técnico Adão Valter Guimarães, popular cigano passou por Palmitos, e com sua saída em 2005 para treinar o time da AABB Chapecó, recebi um convite para jogar em Chapecó no sub 15, vi uma oportunidade de iniciar a carreira como atleta. No começo tive muitas dificuldades, Chapecó, centro maior, morar em casa de atleta, novas amizades, foi aí que comecei a ver o esporte de verdade”, revela.
O atleta tem vários sonhos, oportunidade de realizar muitos, mas dentre eles está o de ganhar a   UEFA Futsal Champions League e ser campeão do mundo pela Seleção Brasileira. “Já tive a oportunidade de disputar uma copa do mundo, mas, infelizmente não deu para ganhar. Pretendo continuar melhorando, conquistando títulos, isso é básico para qualquer atleta, para o clube ou pela seleção brasileira”, declara.
Hoje, ele é grato aos professores que o incentivaram e menciona que eles foram essenciais para seu crescimento pessoal. “A base é fundamental e os professores que estão hoje em Palmitos tem que ser fundamentais para essa nova geração que está aí, descobrindo novos talentos, vocês são muito importantes”, frisa.
Hoje Bateria se sente privilegiado por tudo o que já conquistou, e lembra que tudo isso teve uma origem, e esse começo foi em Palmitos na escolinha de base. “Foi onde tive grandes profissionais por trás de mim, pessoas como minha família, meus amigos, então acredite que vale apena sonhar, vale apena acreditar e vale a pena mais ainda realizar o trabalho bem feito e conquistar as coisas que tem pela frente. Então, posso dizer para todas as crianças que estão começando agora em Palmitos, que acreditem na recompensa. Estudem, mas ao mesmo tempo se dediquem ao futsal, quem gosta de jogar jogue, aproveite, seja feliz, ao mesmo tempo estude porque uma coisa é ligada a outra, com certeza o sucesso será inevitável”, finaliza. 
Arquivo Pessoal / Dyego Henrique Zuffo, 28 anos, está há quatro anos defendendo o FC Barcelona
Dyego Henrique Zuffo, 28 anos, é mais um exemplo de atleta que iniciou sua carreira esportiva no município de Palmitos. Há quatro anos defendendo a camisa 7 do FC Barcelona, na Espanha, na posição de ala, lembra de que quando criança sonhava em poder ‘ganhar a vida’ jogando futsal. “Quando criança, Palmitos tinha uma equipe adulta de forte nível, onde podíamos assistir grandes jogos no município e isso com certeza foi uma inspiração para mim e meus colegas”, conta.
Sem largar os estudos, Zuffo conciliou sua vida com o futsal. Em Palmitos, ele jogava em duas modalidades, futsal e futebol de campo e com o passar o tempo começou a se dedicar mais ao futsal. “Disputávamos campeonatos, e isso era o que eu mais gostava”, lembra ele, ressaltando que “nunca pensei a respeito no que faria se não fosse jogador, comecei muito cedo e tinha bem claro que era isso que eu queria. Se não tivesse dado certo pensaria em algo”, relata.
O atleta relembra a época em que jogava em Palmitos, e agradece pelos ensinamentos e pela ajuda que obteve dos treinadores. “Tenho certeza que eles sentem orgulho de ver onde eu cheguei profissionalmente. Os treinadores têm um trabalho muito importante e bonito, o de ensinar, ajudar e mostrar um caminho a esses jovens e poder um dia sentir orgulho de seu trabalho, quando verem seus atletas felizes e fazendo o que amam, seja jogando ou trabalhando em outra área, essa e a melhor recompensa”, enfatiza.
Zuffo destaca que também anseia em ser campeão do mundo com a seleção brasileira. Ele que já vestiu a camisa 5 da seleção, jogou o último mundial. “Infelizmente não conseguimos, mas seguirei trabalhando para tentar realizar esse sonho”, finaliza. 


Fonte: Aline Reinheimer e Elizandro Stefeni / Jornal Expresso d'Oeste

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