SAÚDE
04/05/2018 10:11 (atualizado em 04/05/2018 10:14)

Ansiedade: Um encontro com o desconhecido Nesta edição, o Jornal Expresso d’Oeste aborda um assunto bastante discutido: a ansiedade. Segundo um levantamento realizado pela OMS, em 2017, 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade

Foto: Arquivo Pessoal | Maria Elvira: Ansiedade interfere diretamente no dia-a-dia da jovem
O Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgadas em 2017, 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e a depressão afeta 5,8% da população.  
Devido a esse cenário, o Jornal Expresso d’Oeste apresenta esse mal que atinge milhões de brasileiros. O levantamento publicado pela OMS mostra que 264 milhões de pessoas no mundo sofrem com transtornos de ansiedade. 
Ao caminhar pela rua, a estudante Maria Elvira Trindade, de 19 anos, sente-se insegura com a presença de pessoas ao seu redor. Junto aos amigos, tem a sensação de estar atrapalhando o convívio. Estas situações poderiam não ser preocupantes, caso não interferissem frequentemente no cotidiano da adolescente, que tem sua vida perturbada por uma doença cruel. Maria Elvira faz parte dos 9,3% da população brasileira que sofre de transtorno de ansiedade. 
De acordo com a psicóloga cognitiva comportamental Tatiane Werle, os sintomas mais comuns da ansiedade são sudorese, pressão no peito e falta de ar. Essas sensações corporais desagradáveis formam uma característica biológica do ser humano e vivenciá-las não necessariamente significa uma doença. No entanto, conforme a psicóloga, quando o indivíduo deixa estes sintomas interferirem diretamente no cotidiano, a ansiedade torna-se um transtorno, como no caso de Maria Elvira. 
As faces da ansiedade
            Conforme Tatiane, a doença pode se manifestar de diversas maneiras e em graus diferentes de intensidade. Assim, existem diversos tipos de ansiedade. Os mais comuns são o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), ataques de ansiedade/pânico, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Fobia, Transtorno de Ansiedade Social e Transtorno de estresse pós-traumático. “Além destes, temos a claustrofobia, um medo de lugares fechados, que também é desencadeado por uma ansiedade. Temos fobias específicas, fobia de altura, de lugar fechado, etc. Essas fobias também são tipos de ansiedade que podem desencadear os ataques de ansiedade, depressão e até mesmo a síndrome do pânico”, cita.
Depressão e ansiedade: lado a lado
Foto: Arquivo pessoal | A psicóloga Tatiane Werle afirma que a ansiedade pode desencadear ataques, depressão e síndrome do pânico
Embora frequentemente apareçam ao mesmo tempo, a ansiedade e a depressão não são sinônimos. Tatiane comenta que é comum indivíduos com depressão passarem por ansiedade e, da mesma forma, pessoas com ansiedade ficarem deprimidas e entrarem em depressão. “Estes são dois dos diversos problemas mais comuns vivenciados na sociedade, ambos são apresentados como uma série de desafios emocionais e funcionais”, revela.
Quem passou por uma destas situações é Andressa (nome fictício), de 27 anos. Ansiosa, teve seu quadro agravado após a perda do avô. “Não consegui aceitar a partida do meu avô. Uma pessoa ansiosa quer tudo do seu jeito e tem medo de encarar o desconhecido. Eu não conseguia aceitar a morte dele. Só conseguia chorar”, comenta ela. Com o passar do tempo, ela foi adquirindo o que chama de “depressão mascarada”, passou a se distanciar dos amigos e a não aceitar opiniões contrárias.
Como reflexo, surgiram os problemas na saúde, manifestando-se principalmente através de aperto no peito. Quando foi buscar ajuda de um cardiologista, descobriu que seu desconforto não era relacionado à saúde do coração, mas ocasionado pela ansiedade. “Não havia nada de problemas no coração, meu problema é a ansiedade e a depressão. Precisava dar uma pausa e este remédio me ajudou”.


Vida em risco 
Sair de casa para estudar, há três anos, não foi tarefa fácil para Jheiny dos Passos, 22 anos. A distância e a saudade da família fizeram com que a jovem adquirisse transtorno de ansiedade e passasse a ter crises de pânico. “Cada coisa que acontece, por mais que pequena, destrói. Às vezes, a única coisa a se fazer é se trancar em um quarto e ficar lá gritando com os pensamentos tentando fazê-los se calarem”, comenta.
Por indicação profissional, Jheiny passou a usar ansiolíticos e desde então as crises têm diminuído. Porém, em períodos mais agitados, como semana de provas, a situação novamente foge do controle. “Piora muito em semana de provas, às vezes passo cinco dias dormindo meia ou uma hora por noite. Os ataques ocorrem quando fico muito nervosa com alguma coisa, mas na grande maioria das vezes acontecem do nada”, frisa.
Com relação ao problema da estudante, Tatiane explica ser fundamental a busca por ajuda, pois quando não tratados os ataques de pânico podem resultar em situações que colocam em risco até mesmo a vida do paciente. Nestes casos, a gravidade é maior, e este fator é determinante para diferenciá-los da ansiedade. “O que diferencia a ansiedade normal de um ataque de pânico é a intensidade dos sintomas. Você não conseguir controlar os sintomas, você ter medo de executar as atividades, isso já é uma questão em que precisa procurar urgentemente ajuda”, comenta a profissional.
Convívio com o ansioso
Foto: Ilustração | A distância e a saudade da família fizeram com que Jheiny adquirisse transtorno de ansiedade e passasse a ter crises de pânico
“De palavras de apoio e incentivo, a um simples abraço em silêncio”, essas são as atitudes que o estudante Fernando Krauss, de 21 anos, afirma tomar quando a namorada passa por crises de ansiedade. Conforme ele, principalmente no início do relacionamento, a incerteza foi um obstáculo difícil de ser superado, mas o convívio possibilitou a adaptação e a certeza do que fazer diante de episódios de medo, insegurança, tristeza e irritação.
No entanto, nem todas as pessoas agem da forma correta, como o estudante. Com relação a estas atitudes, Tatiane explica ser comum situações em que a própria família e os amigos acabam agravando o problema, ao passo em que “passam a mão na cabeça do ansioso”. Ela orienta a substituir frases como “você vai ficar em casa porque seu medo é real, não precisa sair”, por expressões motivacionais, como, por exemplo, “não, vamos sair, se acontecer algo eu estarei do seu lado”. Como resultado, o ansioso cria coragem para enfrentar seus medos, pois é incentivado a superar e sente-se seguro quando recebe apoio de quem ama.
Outro ponto destacado é a existência de casos em que o apoio não precisa ser direcionado apenas ao ansioso, mas também às pessoas ao seu redor. De acordo com a psicóloga, quem convive com uma pessoa ansiosa também deve procurar ajuda para saber como lidar. “Em muitas situações não é fácil, pois o ansioso acaba levando coisas ruins para quem está ao seu lado. É difícil conviver com uma pessoa extremamente ansiosa. Tem de procurar ajuda. Não é fácil, nem para o ansioso, nem para quem convive”, finaliza.

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Fonte: Jornal Expresso d'Oeste/Andrieli Severo

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