AGRONEGÓCIO
29/06/2018 10:55 (atualizado em 31/12/1969 21:00)

Agroindústrias querem mais investimento em rodovias e ferrovias Segundo lideranças do setor, falta de infraestrutura está prejudicando competitividade da economia de Santa Catarina. BR-470, BR-282 e BR-163 são os principais problemas

Autoridades do agronegócio assumem que Santa Catarina já perdeu parte do protagonismo na indústria de frangos e suínos (Foto: Filipe Scotti)
Na tarde de quinta-feira, dia 22 de junho, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) reuniu lideranças do agronegócio do Estado para discutir os problemas de infraestrutura que afetam a produção de milho e de proteína animal. O setor vem enfrentando dificuldades logísticas há alguns anos devido à falta de insumos e de ferrovias e rodovias ideias para escoar a produção. 
Autoridades do agronegócio assumem que Santa Catarina já perdeu parte do protagonismo na indústria de frangos e suínos e que o problema pode piorar. “Santa Catarina tem que defender esse patrimônio. Não podemos perdê-lo. Certamente um componente importante é a infraestrutura e temos que ampliá-la para que possamos manter e fortalecer a nossa agroindústria”, disse o presidente da Câmara de Assuntos de Transporte e Logística da Fiesc, Mauro Cezar Aguiar. Ele defende que, enquanto não houver uma ferrovia ligando o Oeste com o litoral, é necessário investir na BR-282. 
Outro gargalo é a BR-470, que liga o Meio-Oeste com os portos do litoral norte. “Hoje usamos a BR-470 para tirar a produção que está no Oeste. Se dependemos tanto do transporte rodoviário, é um absurdo pensar que as estradas são quase intrafegáveis. É inacreditável”, disse o diretor-executivo do Sindicarne, Ricardo Gouvêa. A BR-470 é umas das rodovias que registra mais mortes no Estado e ainda espera duplicação. 
A BR-163 é o terceiro problema. A estrada liga São Miguel do Oeste com o Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É desses três estados que Santa Catarina traz milho para produzir ração para aves e suínos. Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca, o Estado consome, por ano, 7 milhões de toneladas de milho, mas só produz 3 milhões. Recente avaliação da Fiesc sobre a rodovia apontou que as obras de restauração estão abandonadas, aguardando novo edital do governo federal. 
As agroindústrias catarinenses temem um deslocamento da produção do Oeste catarinense para o Centro-Oeste do país. Na região, o milho é cerca de 30% mais barato do que em Santa Catarina, o que diminui muito os custos de produção. A boa notícia para os catarinenses é de que as indústrias de aves e suínos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul enfrentam problemas com qualificação de mão-de-obra e grandes distâncias dos principais portos nacionais.  
O diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) Ariel Mendes, informou que no âmbito da associação há um grupo técnico estudando a questão do milho. “Partimos da avaliação de que se não for resolvido o problema do milho, Santa Catarina vai perder competitividade. Aqui estão as melhores plantas que exportam para os melhores mercados mundiais. Então é um patrimônio que temos que preservar”, disse. Ele informou ainda que está em andamento um estudo para redesenhar a logística catarinense para o setor. O trabalho deve ser entregue aos candidatos ao governo do Estado, à Presidência da República, deputados e senadores.

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