COLONO E MOTORISTA
01/08/2018 09:01 (atualizado em 31/12/1969 21:00)

Mulher e Caminhão: um casamento que deu certo Há 21 anos na ‘boleia’ de um caminhão, a palmitense Silvia Raquel Espinoza Guimarães conta como é sua rotina os desafios, receios, preconceitos e o porquê decidiu seguir essa profissão. Um casamento que completou bodas de porcelanas

Silvia Raquel Espinoza Guimarães enfrenta as estradas há 21 anos (Foto Arquivo Pessoal)
Para muita gente, caminhão e mulher não combinam. No máximo, elas são caroneiras, companheiras do homem que dirige ou profissionais do sexo que buscam oferecer seus serviços na estrada. Elas enfrentam esse ‘tabu’ do sexo frágil. 
‘Caminhoneira’ é uma palavra que não se encontra nos dicionários, mas caminhoneiro sim. Até mesmo o editor de textos Word tem preconceito – ao escrever este texto, quando digitei ‘caminhoneiras’, o corretor logo sublinhou em vermelho a palavra e sugeriu “caminhoneiro”. Não é fácil. 
E para mistificar esta profissão, o Jornal Expresso d’Oeste conversou com a palmitense Silvia Raquel Espinoza Guimarães que enfrenta as estradas há 21 anos. Hoje com 43 anos, conta os desafios, receios, preconceitos e o porque decidiu seguir essa profissão. 
‘Caminhoneira’, em geral, é sempre associada à mulher que, na visão dos preconceituosos, seria ‘masculinizada’ e homossexual – o que não é nenhum problema caso fosse verdade, mas que demonstra que uma mulher que tenta exercer profissão historicamente ligada aos homens vai sofrer comparações e ouvir desaforos.
Neste contexto, Silvia relata que atualmente a mulher foi conquistando o seu espaço e mostrando do que é capaz. E hoje, segundo a motorista o preconceito é menor. “Minha vida na estrada começou aos poucos, o pai da minha filha me incentivou. E eu amei a profissão. E após 20 anos, não vejo preconceito, apenas alguns motoristas mais velhos que olham com cara feia [risos], mas a maioria admira”, revela ela.
Iniciou sua carreira com 22 anos, em uma empresa de Mondaí. Hoje representa a empresa Tombini de Palmitos, por esse Brasil a fora. Ela percorre por São Paulo, Mato Grosso, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul. “Minha rotina é chegar nas empresas e carregar, sair viajar e cuidar o frio da carga. Fazer a jornada de trabalho parando para o descanso. Além de cuidado e segurança para chegar no destino final no horário programado”, comenta. 
Despojada e bem-humorada, em seu caminhão, ursinhos de pelúcias enfeitam a cabina. E Silvia revela que nunca se sentiu como sexo frágil, mas que uma das dificuldades que encontra são “banheiros limpos, e que às vezes nem tem feminino, tendo que usar masculinos”, conta ela, enfatizando o cuidado que tem, principalmente, com assaltos. “Cuido muito comigo, principalmente com os outros. Me cuido muito em relação a assalto. Tem vezes que nem desço do caminhão na hora que chego em determinado lugar para não verem que é mulher. E para dormir, paro em postos geralmente conhecidos”, revela. 
Em duas décadas de estradas, Silvia revela sobre um fato muito marcante em sua vida. “Teve um acidente, onde o outro motorista se perdeu numa curva, chovia muito e veio na contramão, mas eu consegui desviar, porém ele infelizmente faleceu, bateu na lateral da minha carreta”, conta ela, ressalta que apesar dos incidentes da profissão, tem os momentos agradáveis. “Uma das coisas boas, é poder conhecer lugares lindos, pessoas maravilhosas e formar amizades que não tem preço”, finaliza. 

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